A Importância do Design de Slides

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Há slides que parecem ruins antes mesmo de começarmos a lê-los. Não é preciso conhecer teoria de design para perceber. Há informação demais, elementos espalhados pela tela, fontes disputando atenção, cores sem função aparente. O olhar não sabe muito bem por onde começar. O contrário também acontece. Alguns slides parecem simples de entender quase instantaneamente.…

Há slides que parecem ruins antes mesmo de começarmos a lê-los. Não é preciso conhecer teoria de design para perceber. Há informação demais, elementos espalhados pela tela, fontes disputando atenção, cores sem função aparente. O olhar não sabe muito bem por onde começar.

O contrário também acontece. Alguns slides parecem simples de entender quase instantaneamente. Não necessariamente porque sejam bonitos, mas porque foram organizados de modo a facilitar a leitura.

Essa é uma boa maneira de pensar sobre design de apresentações: seu papel não é decorar uma ideia, mas ajudá-la a chegar com menos ruído.

O olhar precisa de uma ordem

Quando um slide aparece na tela, a audiência começa a interpretá-lo antes mesmo que o apresentador termine a primeira frase.

O tamanho dos elementos, sua posição, o espaço ao redor deles e o contraste entre cores indicam, ainda que silenciosamente, o que parece mais importante.

Imagine um slide destinado a mostrar que determinado indicador cresceu 42%. É possível colocar esse número no meio de uma tabela, ao lado de outros sete indicadores, todos com o mesmo peso visual. A informação estará tecnicamente presente, mas dependerá do público encontrá-la.

Também é possível construir o slide em torno do 42%, deixando os demais dados em segundo plano. Nada mudou no conteúdo, só na hierarquia.

É isso que o design faz quando funciona bem: ajuda a decidir o que será percebido primeiro, o que vem depois e o que pode permanecer discretamente no fundo.

Essa escolha exige alguma disciplina. Quem prepara a apresentação conhece todos os detalhes e tende a considerá-los igualmente importantes. Para quem assiste, porém, quase nunca são.

O espaço vazio também trabalha

Existe certa ansiedade diante de um slide com áreas vazias, parece que está faltando alguma coisa. Então colocamos mais um texto. Um ícone. Talvez uma linha, um gráfico pequeno ou aquele logotipo que já apareceu nos vinte slides anteriores.

Pouco a pouco, tudo fica preenchido e o slide passa uma estranha sensação de produtividade.

Só que espaço vazio não é desperdício. Ele separa assuntos, cria grupos e permite que elementos importantes respirem.

Isso vale também para a quantidade de informação apresentada de uma vez.

Suponha que existam cinco prioridades estratégicas a explicar. Podemos espremê-las num único slide, cada uma acompanhada por descrição, indicador e prazo. Ou apresentar uma por vez, dando à audiência alguns segundos para compreender cada ponto antes de passar ao seguinte.

A segunda opção usa mais slides e, ainda assim, pode tornar a apresentação muito mais simples.

Contar slides é uma medida ruim de concisão. O que importa é a quantidade de informação que se pede ao público para processar a cada momento.

Texto precisa ser visto antes de ser lido

Um erro frequente é tratar o slide como uma página de relatório. Parágrafos inteiros são copiados para a tela porque parecem necessários para garantir precisão. O problema surge quando o apresentador começa a falar enquanto a plateia tenta ler, as duas atividades passam a competir.

Isso não significa que slides devam ser reduzidos a três palavras enormes sobre uma fotografia genérica. O texto continua sendo útil, mas precisa ser pensado como parte da composição visual.

Uma frase longa como:

“Nossa organização pretende implementar uma estratégia de transformação digital voltada à melhoria da experiência do usuário e à simplificação dos processos internos.”

pode, dependendo do contexto, aparecer simplesmente como:

Menos burocracia. Mais serviço.

A explicação fica com quem está apresentando.

Essa divisão de trabalho costuma funcionar melhor. O slide oferece apoio visual e o palestrante desenvolve o raciocínio. Quando ambos dizem exatamente a mesma coisa, uma das duas partes provavelmente está sobrando.

Tipografia entra nessa mesma lógica: não são necessárias cinco fontes para criar variedade. Uma boa família tipográfica, usada com diferenças de tamanho e peso, já permite indicar títulos, informações secundárias e pontos de destaque.

E existe um teste bastante simples: afaste-se da tela. O texto que parece confortável a cinquenta centímetros do notebook pode se tornar quase invisível no fundo de uma sala.

Cor, imagens e gráficos precisam ter motivo

Cores são eficientes porque nosso olhar percebe diferenças rapidamente. Justamente por isso convém usá-las com alguma parcimônia.

Num gráfico com cinco barras, por exemplo, quatro podem aparecer em cinza e uma em azul. Sem qualquer seta ou legenda adicional, a audiência já percebe que existe ali alguma coisa que merece atenção.

Se cada barra tiver uma cor, o título outra e três ícones decorativos disputarem o restante da tela, essa função desaparece. Há contraste por toda parte e, curiosamente, nenhum destaque.

Imagens sofrem do mesmo problema. Uma fotografia pode explicar uma situação muito mais rapidamente do que um parágrafo. Uma rua completamente congestionada comunica certas ideias antes mesmo de o apresentador começar a falar sobre mobilidade urbana.

Já a fotografia de três executivos sorrindo diante de um notebook provavelmente não acrescentará muito a um slide sobre “transformação digital”. É apenas uma imagem ocupando espaço.

Com gráficos ocorre algo semelhante. Eles não deveriam servir apenas para provar que existem números por trás da apresentação. Sua função é permitir que alguém enxergue uma relação.

Se o ponto importante de uma série histórica foi uma queda brusca em determinado ano, o gráfico deveria tornar essa queda evidente. Linhas de grade, bordas, legendas, marcadores e efeitos podem ser necessários, mas frequentemente são apenas resíduos do padrão escolhido pelo software. Às vezes, retirar elementos melhora o gráfico mais do que adicionar qualquer coisa.

Consistência reduz esforço

Uma apresentação inteira também tem uma linguagem visual. Quando títulos aparecem sempre em posições parecidas, números importantes recebem tratamento semelhante e determinadas cores mantêm o mesmo significado, a audiência aprende rapidamente como aquela apresentação funciona.

Isso parece um detalhe, mas diminui o esforço de leitura.

O contrário também é verdadeiro. Se cada slide usa uma estrutura diferente, novas cores, novas fontes e outra lógica de organização, o público precisa reaprender a tela a cada mudança.

Consistência não significa produzir cinquenta slides idênticos. Variações são úteis, sobretudo para marcar mudanças de assunto ou momentos importantes. Funcionam melhor, porém, quando existe um padrão do qual possam se afastar.

Um slide diferente chama atenção justamente porque os anteriores construíram alguma expectativa.

Design bom costuma passar despercebido

Talvez o melhor design de apresentação seja aquele sobre o qual ninguém comenta. A audiência não precisa perceber conscientemente que os elementos estavam alinhados, que havia uma hierarquia tipográfica bem construída ou que o espaço vazio foi cuidadosamente planejado.

Basta que tenha sido fácil acompanhar o raciocínio.

Isso muda um pouco a pergunta feita ao terminar um slide: em vez de pensar apenas se ele está bonito, vale tentar enxergá-lo como alguém que não participou de sua criação.

Está claro onde olhar primeiro? O que pertence ao mesmo grupo? O que realmente importa? Há alguma coisa ali apenas porque havia espaço disponível?

Essas perguntas costumam melhorar bastante uma apresentação sem exigir grandes conhecimentos de design.

Slides existem para ajudar uma ideia a ser entendida, quando começam a competir com ela, alguma coisa saiu do lugar.